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O que são NFTs e por que todo mundo está falando deles?

Há algum tempo, o mundo da tecnologia começou a falar sem parar de NFT. No último ano, o tema, que engatinhava até o começo da pandemia, virou uma verdadeira febre. Para se ter uma ideia, o artista digital Beeple, cujo verdadeiro nome é Mike Winkelmann, vendeu um vídeo de 10 segundos, disponível gratuitamente em seu Instagram, por 6,6 milhões de dólares, outro famoso que entrou na febre foi o Neymar, que compro dois itens de uma coleção por mais de 1,1 milhão de dólares.

A NBA, liga de basquete americana, está faturando alto na Top Shot, plataforma de negociação de NFTs, onde apaixonados podem comprar cards raros, com somente uma edição, e outros mais comuns (com até 1 mil edições). Os cards podem ser estáticos como figuras, imagens de jogadores ou eventos, ou vídeos especiais com os melhores lances dos jogadores.

Já o fundador do Twitter, Jack Dorsey, leiloou por 2,9 milhões de dólares seu primeiro tuíte, datado de 2006, em que ele testava a plataforma. Não para por aí. O whistleblower Edward Snowden, que revelou o programa de espionagem em massa da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), vendeu por 5,3 milhões de dólares uma imagem de seu rosto criada a partir de páginas da decisão judicial que confirma as violações cometidas pela NSA.

Mas por que as pessoas estão gastando milhões para adquirir objetos digitais que estão disponíveis gratuitamente na internet? Vamos por partes.

 

O que é NFT

O acrônimo NFT significa Non-Fungible Token, mas não tem nada a ver com cogumelos. Fungible, ou fungível em português, é a palavra-chave para entender o que está por trás dos NFTs. 

Um objeto fungível é algo que pode ser substituído por outro igual: por exemplo, uma moeda de R$1, uma barra de ouro ou ações são todos exemplos de objetos fungíveis. Já a pintura Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, é um objeto não-fungível porque, apesar de poderem existir réplicas, o original é um só. 

Esse conceito de unicidade explica os NFTs. Apesar do nome estranho, os Non-Fungible Tokens nada mais são do que objetos únicos digitais. Basicamente o NFT é um novo tipo de bem que atraiu o interesse de muita gente ao redor do mundo, sobretudo após a eclosão da pandemia.

Os NFTs são construídos em cima da blockchain (a mesma tecnologia das criptomoedas) e armazenados em diferentes lugares da internet ao mesmo tempo. Simplificando: o NFT é um selo que garante que um item digital é o original, mesmo que existam outros exemplares circulando.

 

O que as criptomoedas têm a ver com os NFTs

Como ocorre com frequência de uns anos para cá, quando o assunto complica é porque em algum momento as criptomoedas entram no jogo, as moedas virtuais desvinculadas dos Bancos Centrais nacionais e que, para muitos, substituirão as moedas tradicionais no futuro. 

O que NFT e criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum só para citar duas entre as principais, têm em comum é que compartilham a mesma tecnologia. O que está por trás de ambas é a tecnologia blockchain, que permite que objetos digitais sejam publicamente autenticados como originais, embora possam ser replicados. Além disso, os NFTs são comercializados em criptomoedas.

Você pode ir ao Louvre e tirar uma foto da Mona Lisa, mas a foto não tem nenhum valor porque não possui a proveniência nem a história do quadro” explicou Rodriguez-Fraile, o homem que comprou a obra de arte de Beeple. Por causa da venda, o artista virou o terceiro artista vivo mais valioso do mundo. 

No caso das artes, o mercado é tão promissor que as empresas de leilões estão abraçando a compra e venda de obras digitais que, transformadas em NFTs, ganham unicidade e valor.

Os impactos dos NFTs 

A criação dos NFTs traz algumas consequências relevantes. A primeira é que os Non-Fungible Tokens estão demonstrando que a tecnologia blockchain tem outra função, que vai além das criptomoedas, e que isso tende a aumentar no futuro.

Por outro lado, a transformação de um objeto digital em NFT está diretamente relacionada ao conceito de escassez, ou seja, itens que estão à disposição gratuitamente na internet e que qualquer um pode obter e replicar, quase que magicamente se tornam peças únicas. Em poucas palavras, está se criando escassez onde não existia.

Mas a principal preocupação levantada pela difusão dos NFTs é o impacto que esse comércio de itens digitais pode ter sobre o meio ambiente. À primeira vista parece difícil entender a conexão entre bits e mudanças climáticas, mas a questão é séria.

O sistema bancário mundial consome cerca de 264 terawatts/hora por ano em energia, segundo um relatório do índice NASDAQ, da Bolsa de Valores americana. O Bitcoin, a criptomoeda mais popular do mundo e a mais faminta por energia, consome pouco menos da metade. Isto ocorre porque o que é popularmente conhecido com a expressão “minerar Bitcoin” – ou seja criar blocos de blockchain – é uma atividade que consome muita energia elétrica.

A popularização dos NFTs pode elevar exponencialmente a demanda por energia elétrica, aumentando o consumo de combustíveis fósseis, o que vai impactar diretamente no meio ambiente, e provocando aumentos de preços nas contas de luz em nível mundial.

O setor artístico dos NFTs está passando por uma revolução e os especuladores, que compram obras baratas a rodo na esperança de que se tornem valiosas em breve, estão se multiplicando. A pergunta agora é: essa mania vai continuar ou vai desmoronar?